MÍDIA

 

O Brasil convive, há décadas, com um paradoxo desconfortável: tem talentos, recursos e mercado, mas avança pouco quando o assunto é produzir mais e melhor com os mesmos insumos (SILVA FILHO, 2023). Ou seja, a produtividade — indicador central da eficiência com que trabalho, capital e recursos naturais são utilizados — permanece estagnada por longos períodos, limitando o crescimento econômico de longo prazo (SILVA FILHO, 2023; EASTERLY; LEVINE, 2001; PRESCOTT, 1998).

Esse tema, recorrente nos diagnósticos sobre o desenvolvimento brasileiro, não é um debate meramente técnico. A produtividade define renda, competitividade, capacidade fiscal, qualidade dos empregos e, em última instância, o espaço de escolhas do país (HSIEH, 2015). Por isso, sua centralidade é inescapável.

Ao mesmo tempo, existe uma exceção brasileira amplamente reconhecida: a agricultura. Enquanto boa parte da economia apresenta desempenho modesto, o Agro avançou de forma consistente, sobretudo pela incorporação contínua de tecnologia, ciência aplicada e melhorias organizacionais (BUAINAIN et al., 2014; GASQUES et al, 2023). A questão relevante, portanto, não é se a produtividade pode crescer no Brasil — ela pode. A questão é como transformar essa exceção em regra.

 

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