MÍDIA
por Fernando Nogueira da Costa
Os cinco modelos históricos de desenvolvimento de cidades do interior com funcionamento adequado ao Brasil (cooperativista, agroindustrial, industrial-cluster, universitário e turístico) revelam um mapa para pensar estratégias municipais. Surgiram em contextos diferentes, mas todos têm algo em comum: um núcleo organizador local capaz de articular produção, instituições e infraestrutura. Cada modelo mobiliza um tipo específico de recurso territorial.
Apresento a seguir um mapa analítico desses modelos e de como funcionam.
O modelo cooperativista é baseado em organização econômica coletiva dos produtores locais, sobretudo no meio rural. Pequenos produtores se associam para comprar insumos, processar produção, armazenar, comercializar e exportar. Isso permite ganhos de escala e poder de mercado. Exemplos notáveis são Cascavel-PR e Toledo-MG. Têm cooperativas importantes: Coamo Agroindustrial Cooperativa e Copacol. Têm impactos na industrialização rural, renda distribuída e forte reinvestimento local. O cooperativismo funciona como instituição econômica territorial.
No modelo agroindustrial, a agricultura se conecta com indústrias de processamento. Cadeia típica é a seguinte: produção agrícola → processamento industrial → logística → exportação ou mercado interno. Esse modelo gera cadeias produtivas completas no interior como mostram os exemplos de Lucas do Rio Verde-MT e Rio Verde-GO, tendo como atividades comuns a produção de soja, carnes, biocombustíveis e alimentos processados. A característica chave é o município virar polo regional do agronegócio industrializado.
O modelo de cluster industrial está baseado em concentração territorial de empresas do mesmo setor. Empresas competem, mas também compartilham fornecedores, treinam mão de obra e difundem inovação. Esse fenômeno é conhecido como arranjo produtivo local (APL). Exemplos clássicos são Franca-SP e Nova Serrana-MG em calçados e Bento Gonçalves-RS em móveis. Suas características são muitas pequenas empresas, especialização produtiva e alta geração de emprego. Esse modelo se desenvolve muito quando há escolas técnicas, associações empresariais e crédito produtivo.
O modelo universitário ou científico permite algumas cidades crescerem a partir de instituições de ensino e pesquisa. Universidades geram formação de capital humano, inovação tecnológica, serviços especializados e empreendedorismo. Além do caso notável de Campinas com a Unicamp, há outros exemplos, entre os quais, a Universidade Federal de Viçosa-MG, forte na área agrícola, Santa Rita do Sapucaí-MG em eletrônica com o Instituto Nacional de Telecomunicações, Campina Grande-PB em tecnologia. Como resultados constituem polos tecnológicos, startups e indústria baseada em conhecimento.
O modelo turístico é possível em algumas cidades, onde se estruturam economicamente a partir de patrimônio natural ou cultural vários tipos de turismo: histórico, ecológico, gastronômico e religioso. Exemplos são Gramado-RS, Bonito-GO, Tiradentes-MG e Poços de Caldas-MG. Seus impactos acontecem em hotéis, restaurantes, artesanato e outros serviços. Esse modelo gera economia intensiva em serviços.
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O Instituto de Economia da UNICAMP foi criado em 1984 e tem por finalidade a promoção do ensino e da pesquisa na área de Economia.
